Sul de Minas pode enfrentar colapso no atendimento do SAMU - Minas em Foco

Sul de Minas pode enfrentar colapso no atendimento do SAMU

Mais de 150 cidades da região podem ficar sem cobertura de urgência a partir do dia 8 de julho

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) que atende o Sul de Minas Gerais pode suspender parte dos atendimentos a partir do próximo dia 8 de julho, caso o Governo Federal não regularize os repasses financeiros previstos para a manutenção do serviço.

Segundo o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Macrorregião do Sul de Minas (CISSUL/SAMU), responsável por coordenar o atendimento em mais de 150 municípios da região, a defasagem dos repasses por parte do Ministério da Saúde já compromete o funcionamento de várias bases descentralizadas e ameaça diretamente a continuidade do serviço.

“Estamos chegando a um ponto crítico. Se os recursos não forem normalizados com urgência, a operação será insustentável, principalmente nas cidades menores e mais distantes dos centros hospitalares”, afirmou em nota a direção do consórcio.

Rombo e riscos à população

De acordo com estimativas do CISSUL, o déficit orçamentário só em 2025 ultrapassa os R$ 10 milhões, considerando o aumento nos custos operacionais e a queda no repasse federal, que deveria cobrir 50% das despesas, mas tem ficado entre 8% e 40%, dependendo da região.

Caso a paralisação se confirme, centenas de milhares de moradores de cidades como Pouso Alegre, Varginha, Passos, Lavras, Itajubá, Poços de Caldas e São Lourenço poderão ficar temporariamente sem atendimento especializado em urgências como infartos, acidentes graves e partos emergenciais.

“É uma situação extremamente preocupante. Muitos municípios não têm ambulâncias ou equipes preparadas para lidar com esse tipo de atendimento. A população mais carente será a mais afetada”, alertou um socorrista da base de Pouso Alegre, que preferiu não se identificar.

Pressão dos profissionais e pedido de socorro

Além da crise financeira, trabalhadores do SAMU também denunciam salários defasados, sobrecarga de trabalho e viaturas sucateadas. Em algumas cidades, ambulâncias estão paradas por falta de manutenção e falta de pagamento a fornecedores.

Profissionais da categoria também cobram a aprovação do Projeto de Lei 3.104/2020, que reconhece os condutores socorristas como profissionais de saúde, garantindo direitos trabalhistas e previdenciários equiparados aos demais membros da equipe.

Governo ainda não se posicionou

Até o momento, o Ministério da Saúde não apresentou uma solução concreta para o caso. Em declarações anteriores, a pasta informou que realiza uma reavaliação dos critérios de repasse, mas não reconhece um piso constitucional específico para o SAMU.

Já o Governo de Minas afirma que vem cumprindo sua parte no financiamento do serviço, e que também aguarda definição do governo federal para evitar colapso nas operações.

Redação

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