Image Credits: REUTERS/Ueslei Marcelino – ( Greve nacional dos caminhoneiros 23/05/2018 )
Caminhoneiros de diferentes regiões do País estão articulando uma possível paralisação nacional nos próximos dias, em reação à alta do diesel e à insatisfação com as medidas do governo federal para conter o preço do combustível. O movimento envolve tanto motoristas autônomos quanto profissionais de transportadoras, aumentando o alerta para impactos na logística do País.
Categoria já decidiu por paralisação
Segundo Wallace Landim, presidente da Abrava e conhecido como Chorão, em entrevista à Folha, a categoria já deliberou a favor de cruzar os braços. Ainda não há data definida.
Lideranças do setor trabalham na articulação com entidades regionais, cooperativas e empresas de transporte para ampliar a adesão antes de oficializar a paralisação.
“Não tem condições de manter o trabalho”, afirmou Landim.
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CNTTL apoia paralisação
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou em nota que apoia a paralisação, após ter solicitado ao governo federal providências para conter a alta considerada abusiva nos preços dos combustíveis.
Até então, os pedidos de paralisação eram esparsos e sem clareza sobre o nível de adesão, com a Abrava e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam) como principais defensores do movimento.
Diesel mais caro gera revolta
O principal ponto de insatisfação é o aumento do diesel anunciado pela Petrobras logo após o governo divulgar um pacote para tentar reduzir o preço do combustível. Para os caminhoneiros, o reajuste nas refinarias anulou o efeito das medidas, que incluíam zeragem de impostos federais e subsídios para reduzir o valor nas bombas.
“O que foi feito até agora não serviu para nada”, disse Landim.
Medidas do governo não convenceram
O pacote do governo previa redução de até R$ 0,64 por litro, com eliminação de tributos como PIS e Cofins e incentivos para importadores.
No entanto, um dia após o anúncio, a Petrobras elevou o preço do diesel em R$ 0,38 por litro nas refinarias, atribuindo o aumento à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela crise no Oriente Médio.
Outras demandas da categoria
Além do preço do combustível, os caminhoneiros cobram:
- Respeito ao piso mínimo do frete, previsto em lei;
- Mais fiscalização da ANTT;
- Isenção de pedágio para caminhões vazios.
A categoria afirma que muitos motoristas acabam aceitando valores abaixo do mínimo por falta de fiscalização efetiva.
Governo acompanha cenário com atenção
O governo federal monitora o risco de paralisação e iniciou conversas com representantes do setor. Segundo Landim, integrantes da Casa Civil já discutiram a situação, mas há desconfiança sobre a efetividade das negociações.
Estados rejeitam redução do ICMS sobre diesel
Nesta terça-feira (17), os governadores rejeitaram o pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reduzir o ICMS sobre o diesel. A manifestação foi feita pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
Em nota, os estados afirmaram já ter registrado perdas com reduções anteriores e atribuíram às distribuidoras e postos a não aplicação das quedas de preços ao consumidor.
“Não há, portanto, base empírica consistente para sustentar que uma nova perda do ICMS resultaria em benefício efetivo para a população, não entregando o efeito de fato esperado. Insistir nessa premissa desconsidera a dinâmica real do mercado de combustíveis e pode impor aos estados uma perda fiscal concreta, sem a correspondente contrapartida social”, diz o comunicado.
Movimento pode ganhar força
A articulação envolve estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e o Distrito Federal. Caso a greve ocorra, há risco de impactos no abastecimento e na cadeia logística, como já aconteceu em paralisações anteriores.
Para os caminhoneiros, a combinação de diesel caro e fretes pressionados torna a atividade cada vez mais difícil.
“Se não houver previsibilidade de custos, a paralisação é uma das poucas formas de pressionar por mudança”, afirmou Landim.
✍️ Reportagem: Jornalista Toni Oliveira
